Taxa de Amostragem e o Mito da Precisão

taxa de amostragem de áudio

Existe um grande debate sobre esse assunto, mas as conclusões são parecidas. Os defensores das gravações com taxas de amostragem maiores do que 44,1 kHz alegam que as frequências mais elevadas rendem maiores detalhes. Existe também um maior consumo de banda de dados por parte das gravações com resoluções mais altas. Uma gravação em 96kHz consome duas vezes mais espaço de armazenamento do que o capturado em 44,1 kHz. Eles estão certos de que aumentando os detalhes os ouvintes estarão ouvindo gravações mais precisas. Vamos descobrir?

Alcançando os Limites do Ouvido Humano

A verdade é que não devemos acreditar nessa visão, porque em gravação de áudio, precisão é um mito.

A taxa de amostragem se refere a regularidade na qual um sistema de gravação digital checa o som na entrada. Sistemas que tiram amostras mais frequentemente podem capturar altas frequências. Um engenheiro chamado Harry Nyquist descobriu uma equação matemática e concluiu que 44,100 amostras por segundo, como usando em CDs, nos permite gravar frequências acima de 22kHz.

mulher tapando ouvidos smIsso vai 2kHz além do que os ouvidos humanos são capazes de ouvir, e teoricamente permite gravar todas as altas frequências detalhadamente, mais do que podemos ouvir. Contudo, estudos recentes sugerem que nós somos sensíveis aos sinais supersônicos, mesmo se eles não sejam percebidos por seus ouvidos. Por causa disso, muitos audiófilos reclamam que essas gravações falham nessas altas frequências e por isso são menos precisas.

Nesse contexto, precisão é um mito, e isso deve ser óbvio para engenheiros de gravação e mixagem porque, a natureza do nosso trabalho dita que é impossível recriar perfeitamente uma fonte sonora. Nós escolhemos qual equipamento usar para determinada situação, e as propriedades desse equipamento afetam a cor de todos os sons que gravamos. Além disso, nossas mixagens aparecem de formas diferentes em cada sistema de som, desde os monitores do estúdio até os fones de ouvido do iPod e, finalmente, a resposta do ouvido humano é extremamente sensível ao volume. Enfim, os ouvintes, de um modo individual, ouvem tudo de uma forma diferente.

Gravações e Mixagens de Áudio Perfeitas para Equipamentos Imperfeitos

mixer fisico smEssas coisas fazem parte da vida de um engenheiro de áudio. Tentamos então conseguir transparência em nossas mixagens, invés da perfeita exatidão. Preferimos que a nossa mixagem seja traduzida muito bem em todos os sistemas de som, nunca totalmente perfeita, mas sempre boa. Não pense que seus amplificadores de $ 5,000 e os auto-falantes de $ 10,000 renderão um som mais preciso e perfeito do que aquele que o engenheiro de mixagem pretendeu. Isso sublinha um ponto importante: A menos que você esteja tratando com um som capturado de um único microfone, cada som em uma gravação é resultado de uma decisão durante a mixagem.

Então, usar altas taxas de amostragem para alcançar uma melhor precisão é um conceito equivocado. Contudo, isso lembra outro argumento a favor da captura de conteúdo em altas frequências: “Mesmo se a maioria dos sistemas não puder reproduzir os detalhes extras, um deles poderá, o que vai oferecer uma experiência aprimorada, então porque não deixar isso gravado?

Os 3 Fatores que Definem a Qualidade da Reprodução do Áudio

engenheiro audio smNessa linha, essa idéia faz sentido para consumidores economizarem seus salários para comprarem um amplificador mais potente. Porém, engenheiros de mixagem, mesmo os amadores, devem saber disso. O argumento de que as gravações em 44,1 KHz são menos agradáveis pela ausência das frequências supersônicas, termina em três pressupostos:

  1. Que o equipamento de gravações era sensível às frequências desejadas.
  2. Que o ambiente de monitoração permitiu que o engenheiro de mixagem tomasse decisões sobre essas frequências.
  3. Que o engenheiro de mixagem é sensível às frequências supersônicas de forma objetiva e incluiu apenas as frequências que melhoram o som.

Certamente existem alguns engenheiros afortunados e sortudos que satisfazem essas três condições. Porém, antes de decidir usar uma alta taxa de amostragem, você deve se perguntar honestamente se você está entre eles. De fato, a menos que você tenha um equipamento muito preciso para capturar conteúdo em alta frequência, e acreditar que você pode objetivamente mixar esse sinal, a noção de “adicionar isso não vai estragar” é contrária a uma boa prática de mixagem. Cada elemento da mixagem deve melhorar o resultado final, ou isso simplesmente não é necessário.

Adicionar altas frequências só porque os melhores estúdios do mundo estão adicionando, não é uma boa ideia. A menos que seu equipamento e suas habilidades estejam à altura dessa tarefa, gravar em 88,2kHz ou 96kHz pode até danificar suas gravações.

Uma dica extra do Rodrigo: Saiba como eu montei o meu estúdio de gravação musical e consegui gravar as minhas mais de 40 músicas sem gastar fortunas com equipamentos e softwares caros.

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