tessitura vocal

Existem ideias que podem mudar completamente o resultado de uma gravação, e uma delas é o conceito de Tessitura Vocal. Vamos dar uma olhada nesse conceito e também, entender como podemos aplicar esse novo conhecimento para ajudar a nós e aos nossos clientes de estúdio durante as gravações. Um produtor com conhecimentos musicais afiados é sempre bem visto. Confira!

Agora, se você deseja aprender mais a fundo sobre esse assunto, recomendo que você confira esse link...

Estivemos conversando sobre como cantar afinado sem usar softwares, por meio do retorno auricular, e também vimos sobre como o compressor de áudio salvou a vida dos cantores do Rock in Rio. Agora vamos tocar num ponto muito interessante, que é de conhecimento não apenas dos cantores que frequentaram aulas de canto, mas também de interessados em aprimorar suas técnicas vocais usando métodos baseados em teoria musical. Vamos falar sobre a tessitura vocal e como ela pode ajudar você a cantar qualquer música, mesmo àquelas mais altas interpretadas pelo Zezé di Camargo.

Quem nunca teve problemas ao cantar uma música do Zezé? Durante a gravação, os produtores espremem todo o suco dos artistas, e fazem com que eles cantem quase no limite de suas tessituras vocais. Quando alguém desavisado resolve cantar essa mesma música no Karaokê ou tenta acompanhar o cantor pelo rádio, tem uma surpresa desagradável: a voz não alcança as notas do refrão! Que decepção... Será que o seu cantor ou cantora são mesmo abençoados com uma voz maravilhosa?

É verdade, se você for assistir seu artista preferido (a) ao vivo, perceberá que o tom fundamental está no mínimo uns 3 semitons abaixo, em relação a versão gravada. Claro, esses artistas cantam quase todos os dias, e se suas vozes forem exigidas ao máximo o tempo todo, logo estas estarão afônicas, impossibilitando qualquer manifestação vocal no palco.

Testando a sua Tessitura Vocal

Nem todos possuem um teclado musical em casa, mas uma das melhores ferramentas para se testar a tessitura vocal é tocando as teclas, de Dó a Dó.

Comece pelo Dó da terceira oitava no teclado. Tente emitir uma vocalização a uníssono com essa nota, mantendo isso o mais grave possível. Esse será o seu Dó mais baixo.

Agora, comece subindo mais um semitom, indo para a tecla preta seguinte. Sua voz vai subir junto, você vai vocalizar no mesmo tom, até sentir que está emitindo um som semelhante ao do teclado.

Repita esse procedimento até a nota mais alta que a sua voz conseguir alcançar. Essa será a sua nota mais alta. Sua voz não conseguirá executar uma nota acima dessa, então você vai descobrir o "tamanho da sua voz" ao contar quantos semitons a sua voz foi capaz de reproduzir.

Se você tiver um timbre grave, provavelmente terá que experimentar as notas anteriores ao primeiro Dó em nosso teste. Essas notas atrás também são contadas como extensão vocal.

Tessitura Vocal x Extensão Vocal

A tessitura vocal é sempre menor que a extensão vocal, porque a primeira mede as notas com alta qualidade, frequentemente usadas em uma canção, enquanto que a segunda se refere às notas que são fisicamente possíveis de serem realizadas pela voz em questão. Essa extensão pode contar um recurso vocal chamado "falsete", que consiste em uma voz produzida pressionando as cordas vocais para um timbre distinto e de tonalidade elevada. A banda U2 usa um falsete na introdução da música "Elevation" do álbum "All That You Can't Leave Behind" (ouvi esse disco até furar).

Salvando uma Gravação usando a Tessitura Vocal

Com esse teste exemplificado acima, podemos descobrir quais as notas possíveis para a sua voz. Se o seu cliente de Home Studio não entende nada de tessitura vocal, nada mais justo que você mesmo realizar o teste com ele e ajuda-lo a cantar confortavelmente, colocando o arranjo musical em um tom fundamental que esteja dentro de seu alcance vocal.

As músicas comerciais são feitas em tom alto para (trancar a música para ninguém mais cantar igual) valorizar o timbre alto dos artistas atuais durante a gravação. Com essa técnica, o público tenta cantar e não consegue, deixando a impressão de que o artista é quase um ser de outro mundo.

Por outro lado, o DVD da Paula Fernandes é um exemplo do uso correto da tessitura vocal para valorizar o timbre do artista. O Leonardo teve que cantar em um tom deslocado, até desconfortável para ele, tudo para não tirar o foco da Paula Fernandes. Já Victor & Leo se deram bem, suas tessituras funcionaram muito bem durante aquela apresentação. O DVD ficou muito legal, vale a pena conferir.

Compreender e praticar esse princípio de tessitura vocal é um ótimo ponto de partida para melhorar suas gravações, encontrando o "tempero" ideal para o seu acompanhamento, deixando o artista mais confortável durante a gravação. Se você não estiver pensando em trancar suas músicas usando tons altos, uma dose de bom senso pode ajudar a escolher qual é o melhor tom para o intérprete da música.

E você, está conhecendo a sua tessitura vocal para cantar melhor e fazer ótimas gravações?

Abraço!

 

Uma dica extra do Rodrigo: Se você deseja aprender como montar o seu estúdio de gravação musical, de alta qualidade, sem investir em equipamentos caros, recomendo que confira esse link agora mesmo.